Diante da decisão do STF que aprovou a extinção da obrigatoriedade da exigência de diploma superior para o exercício da profissão de jornalista, fiquei imaginando como será o futuro da profissão. É bem provável que fechem várias faculdades particulares de jornalismo, pois quem é que se disporá a pagar(caro) por um curso que forma profissionais cujo diploma não será exigido e que ganhará exatamente a mesma coisa que aqueles que não o tem, e após 4 anos coloca profissionais com uma boa teoria, mas sem prática no mercado? Bem, esperamos que pelo menos as universidades federais mantenham os cursos de jornalismo. E se assim for teremos menos profissionais no mercado, e os que fizerem o curso superior talvez se destaquem mais, pois sabemos que um bom jornalista não se forma da noite para o dia; até entre os formados tal coisa é uma raridade. É necessário também suar muito a camisa, subir em morros, muitas vezes correndo risco de vida, andar muito no sol, pegar chuva, entrar em ambientes hostis, chorar junto a vítimas de tragédias pessoais; rir junto com as torcidas, quando o time vencedor é o seu de coração; escutar mentiras deslavadas de politiqueiros, ser por vezes agredido e ameaçado de morte inúmeras vezes, por defender a verdade; é ser destratado pelos colegas de profissão, apenas por eles estarem do outro lado do poder, fazendo seu jogo, muitas vezes sujo; é amar , ser amado e odiado pelos entrevistados; tietar aquele ídolo, quando for fazer a matéria; é ter de fazer o jabá encomendado pela chefia, para agradar alguém; passar fome esperando o entrevistado mala, mas que não pode deixar de incluir na matéria; é ter de ficar na redação para fechar texto, quando todos já foram embora; é não ter feriados, e muitas vezes ficar longe da família em datas importantes como natal, ano novo, páscoa e aniversários familiares, inclusive o próprio; é além de tudo isso amar a verdade e ter capacidade também de levar a sociedade a refletir e ajudar formar a sua opinião a respeito dos mais variados assuntos.
Everson Leal