Durante minhas andanças pelo mundo, eu, que sou muito observador e perguntador, comecei a observar um estranho fenômeno, que acomete várias pessoas, das mais diferentes classes sociais e graus de instrução. Tudo começou em 1987, quando conheci uma senhora, cujo nome não posso revelar(os outros nomes também não poderei revelar, pois poderiam ficar constrangidos; usarei pseudônimos), mas vamos chamá-la de Júlia. Acontece que a júlia me espantou muito quando em seu escritório ofereceu Coca-Cola à nossa equipe, e disse que poderíamos beber à vontade pois tinha um grande estoque na geladeira. Conversa vai, conversa vem, ela nos confidenciou que há muito tempo não bebia água, somente Coca-Cola! Fiquei estarrecido! Logo eu, um inveterado bebedor de água, e que nunca gostei da Coca-Cola, por achá-la com um gás muito forte, não consegui assimilar a idéia tão radical de trocar a água por aquela bebida ruim e gasosa. Os tempos se passaram e há cerca de quatro anos conheci o Fernandes, um contador casado com minha cunhada. Um dia em visita à casa deles pedi um copo de água e para minha surpresa, NÃO HAVIA ÁGUA FILTRADA EM CASA! NEM ÁGUA NEM FILTRO. Mas me ofereceram o que para beber? Isso mesmo Coca-Cola ! Minha cunhada depois falou que o marido dela não bebia água, somente Coca-Cola. Achava a água muito sem gosto e sem graça. E pelo jeito, ela estava indo pelo mesmo caminho. Passaram-se mais alguns anos e conheci o jornalista Alexandre. Trabalhamos juntos e observei que todos os dias ele sempre ia trabalhar com uma garrafa de Coca-Cola junto de si. Não importava se o líquido estivesse gelado ou quente, ele tomava assim mesmo. Conversei com ele e me confidenciou se considerar um grande apreciador da bebida. Perguntei se ele se considerava viciado e ele num tom de humor misturado com sinceridade disse que não, pois há mais de vinte anos só toma Coca-Cola no lugar de água e até hoje não viciou. Contou que em uma viagem à Antártida, levou várias garrafas na bagagem e sempre que podia detonava uma. Recentemente, em um trabalho conheci o fotógrafo Marcos. Trabalhamos em um congresso realizado em um clube fora da zona urbana; ele estava quase entrando em crise de abstinência, pois lá não havia aquele líquido escuro e gasoso. No segundo dia de congresso, ele saiu do clube e foi procurar a Coca para beber. Conversei com ele, que não se considera viciado, mas que tem de tomar uma garrafa de 600 ml por dia para poder ficar bem. Me disse ainda que a Coca da garrafinha de vidro é melhor que as das garrafas pet. Coca-Cola de máquina de refrigerante, daquelas que misturam o líquido no shopping, nem pensar. Coisas de quem entende. Por essas e outras razões apresentadas, lanço a questão: Coca-Cola vicia? Mesmo tendo aquele sabor forte de gás que nos faz arrotar como uma garrafa de champanhe chacoalhada? Vamos ficar atentos e tomar cuidado para não virarmos consumidores compulsivos desta bebida.

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