terça-feira, 5 de maio de 2009

Livro abandonado

Em uma segunda feira qualquer, achei um livro no meio da rua. Mas para explicar melhor contarei em forma de versos:
Tinha um livro no meio do caminho. No meio do caminho tinha um livro. Caído, abandonado ou perdido. Se fosse uma carteira, com dinheiro, teria sumido. Mas era um livro. Talvez não lido. Pertencia a uma bilioteca. Teria sido excluído? Seu estado era novo, de um poeta virtuoso, mas contudo não falava de poesia. Eram crônicas do dia-a-dia. Um dos maiores poetas brasileiros, jogado no chão, aguardando lixeiros. Quem sabe dariam valor, levariam para casa e leriam com sabor. Mas quem achou fui eu, que me espantei, de encontrar ali um Drummont perdido, que agora é meu. Porém havia uma identificação, um código secreto e lendário , que somente poderia ser conhecido por um Bibliotecário, um ser místico e missionário. Entendi então que o livro não era meu, estava destinado a povoar o imaginário popular; pertencia aos usuários de uma biblioteca e para lá deveria retornar. Vou devolver. Mas só depois que em suas páginas eu viajar. Everson Leal

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